4.10.04

sábado

e o leo jaime finalmente veio a vitória. quer dizer, vila velha: blow up, mais que um local, um presságio de que a noite poderia reservar algumas surpresinhas desagradáveis. bom, sou obrigada a reconhecer que, de uns 4 anos pra cá, a casa melhorou no que diz respeito à troglodice dos seguranças e à ambientação. mais bonita, mais organizada. porém, a quantidade de gente esquisita por metro quadrado continua no grau 'érrimo'. o show, por outro lado, foi jóia. fiquei surpresa com a duração (bem longo!), mas confesso que a quantidade de covers foi over pro meu gosto. ok, só rock clássico e talz, mas o leo jaime tem repertório pra animar um show inteiro, né?! faltou tocar só, bobagem e imoral/ilegal/ou engorda. mas rock estrela, nada mudou e sônia foram impagáveis. sem falar no cover de lips like sugar, fofo! ah, a versão solange é completamente dispensável. a original já é trash! abaixo, a noite em detalhes.

uma experiência antropológica
na entrada, eu, luis e thaiz catalogamos o que nos pareceu um fenômeno tipicamente blowupiano: em conversas extremamente interessantes e substanciais, quase todos puxavam os essexxxxxxx. por uns segundos achei que tinha entrado num vórtice atemporal e vazado no rio de janeiro, mas uma análise antropológica mais detalhada nos fez concluir que essa é a linguagem utilizada no ritual de 'acasalamento' de certa casta sócio-cultural.

superada essa fase de ambientação com outras espécies, entramos. casa ainda vazia. nos cdjs a música era agradável: rock. o que não deixou de ser uma surpresa boa, já que na última vez em que tinha estado ali, saí ao som de algum dos 'hits' do só pra contrariar.

o tempo foi passando e contradizendo nossa idéia de que não encontraríamos ali nenhum conhecido. aos poucos foram chegando umas figurinhas amigas, um tanto retraídas por estarem naquele ambiente inóspito. quem disse que o nome de leo jaime não tem poder! carol, lu gama, pedrão, rimaldo, mozine...

quando a casa começou a ficar mais cheia, alteração estratégica de dj. começa um set do estilo famoso e cultuado no 'submundo underground da patricice capixaba': o dance farofa! foi a deixa pra eu e luis nos encostarmos num cantinho e tirarmos um ronco até o início do show.

o show começa. leo jaime e outros três músicos. estrutura enxuta. som legal. luis, muito mais esperto que eu, me conseguiu um lugarzinho 10, bem na frente. animação total até uma mala albina se apinhar na mureta e começar a tumultuar o ambiente. o sujeito subiu no banco, fez gracinhas, pisou nos pés de todo mundo, deu cotoveladas e, não satisfeito, arrancou a camisa - visão do inferno! - e jogou no leo jaime. e os seguranças foram obrigados a resgatar a troglodice perdida pra tirar de lá a persona non grata.

nem bem a gente respira aliviado, chega o 'bonde das ogras descabeladas' pra abalar a primeira linha do público. três mulheres tamanho jumbo (uma delas tinha o cabelo que nem o do valderrama! um achado!!!), pulando até o teto, rebolando até o chão, acompanhadas de um sujeito de orientação sexual indefinida em delírio provocado por alto consumo de whisky e que, a julgar pelo estilo de dança e pela empolgação alienígena, acreditava estar num dos camarotes do vital.

as ogras descabeladas dominaram geral. não teve um ser vivente dentro daquela boate de 'primeira' que não tivesse olhado para as beldades. elas conseguiram o que queriam: chamaram mais atenção que o cantor. iupiiiiiii!

mas a supremacia social não se conquista assim, tão facilmente. a evidência das ogras descabeladas suscitou a fúria das 'nativas saia-curta-decote-comprido', que aguardaram pacientemente o momento certo para contratacar, ou seja, o quase final do show, quando as ogras já estavam com as forças debilitadas de tanto pular/rodopiar/saltitar/bater palminha/rebolar.

em um rápido golpe, três 'nativas saia-curta-decote-comprido' se jogaram na primeira fila, mandando as ogras para escanteio, desorientadas. as nativas e suas sandálias salto 15 brilharam por todo o bis (que contou com três músicas, dentre as quais a clássica 'a vida não presta'!), garantindo cenas deveras divertidas para o restante da platéia. um exemplo? uma delas estava com uma saia que, sendo generosa, media 30 cm. então, no auge da animação da moça, mesmo sendo míope, dava pro sujeito ter uma visão deveras generosa. então, o acompanhante da meiguinha, zeloso que era, ficava atrás, puxando o pedaço de pano pra baixo. companheirismo, atenção. é o amooooooooooooooooooooooor!

o show terminou. tentei pegar um autógrafo, mas a ogra com cabelo de valderrama foi mais rápida e, em 5 segundos, se jogou na frente de leo jaime e bloqueou a passagem. conformada, enfiei meu cd na sacola e me encaminhei ao guichê, pagar a conta.