20.5.05

reflexiva

"se, extirpando do seu coração o vício que a domina e avilta a sua natureza, a classe operária se erguesse com a sua força terrível, não para reclamar os direitos do homem, que não são senão os direitos da exploração capitalista, não para reclamar o direito ao trabalho, que não é senão o direito à miséria, mas para forjar uma lei de bronze que proibisse todos os homens de trabalhar mais de três horas por dia, a terra, a velha terra, tremendo de alegria, sentiria nela surgir um novo universo... mas como pedir a um proletariado corrompido pela moral capitalista uma decisão viril? como cristo, a triste personificação da antiga escravidão, os homens, as mulheres, as crianças do proletariado galgam penosamente há um século o duro calvário da dor: há um século o trabalho forçado quebra seus ossos, fere suas carnes, destrói seus nervos; há um século a fome torce suas entranhas e alucina seu cérebro! ... ó preguiça, tem piedade de nossa longa miséria! ó preguiça, mãe das artes e das nobres virtudes, seja o bálsamo das angústias humanas!"

[o direito à preguiça, paul lafargue - 1842-1911]