tarde? na hora certa...
vc conhece um sujeito chamado dave brubeck? eu não conhecia... até ontem. foi um negócio bobo, mas que me rendeu um momento tão bom, que já estou virando fã dele.
vou explicar.
ontem fui dar entrada no meu seguro-desemprego, o que me deixou um tanto baixo astral. eu devia ter feito isso em setembro, mas fiquei adiando porque achava que talvez arrumasse emprego logo. mas eu não arrumei, e tive de me render à ajuda governamental.
"de modos que" estava meio mal com todo esse lance de ainda não ter conseguido nada e resolvi que devia caminhar um pouco pra espairecer. tem gente que pode achar que caminhar em cuiabá seja algo trivial, mas não é. tem sempre aquele calorão absurdo, ainda mais naquele horário - entre meio-dia e três da tarde. avaliando bem, acho que eu estava mesmo era querendo me autoflagelar!
ahahahah
voltando ao assunto...
saí andando sem rumo e cheguei no sesc, que é um prédio grandão, bonito, com mais de 200 anos. já foi uma espécie de forte do exército (daí o nome que tem: sesc arsenal) e depois, segundo um funcionário que conversou comigo, virou prisão. há alguns anos estava abandonado, até que foi comprado e restaurado.
entrei no sesc. lá tem um monte de salas especiais (leitura, música, cinema, dança), tudo muito bacana e bem cuidado. entrei na sala de música. lá pode-se pesquisar livros sobre o assunto, ver dvds de óperas e apresentações de música clássica (tinha um anthology dos beatles também), e, claro, ouvir música. tem umas cabines especiais pra isso.
vc pega um cd da coleção deles e vai pra cabine. o legal é que essa coleção tem muito jazz, samba, soul e clássica. nada muito "popular". e o mais legal ainda é que o público que frequenta é muito heterogêneo, algumas das pessoas que vi ali, eu presumo, dificilmente teriam acesso a esse tipo de música se não fosse esse espaço (totalmente gratuito, diga-se de passagem).
eu mesma nunca me debrucei sobre gêneros como o jazz e achei que era um bom momento para uma iniciação. peguei, aleatoriamente, uns 2 discos. um deles era desse cara, o dave brubeck. ele é pianista (e o google me contou que ele também estudou violoncelo) e já me conquistou por aí. apesar de ter achado o som bem bacana, o que mais me chamou a atenção, nesse primeiro contato, foi a história dele.
o cd tinha um encarte bem polpudo, contando, por exemplo, que ele preferia a estrada aos estúdios e, na década de 50, não se importava em perder contratos por ter em sua banda um baixista "afro-americano". tinha muito mais coisa, que estou com preguiça de falar e que o google também pode te dizer melhor.
eu sei, isso parece meio estúpido e até bem tardio – eu sempre me odeio quando percebo que não sei muita muita coisa básica. mas naquela hora fiquei muito feliz por ter tanto ainda por descobrir.
fui me empolgando tanto que saquei meu bloquinho e comecei a escrever enquanto ia ouvindo o disco. foi um momento bom, pois eu andava meio brigada com a escrita há algum tempo. muito tempo, pra dizer a verdade.
saí de lá umas 5 da tarde, bem melhor do que entrei.
e agora estou apaixonada pelo brubeck!
:D

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home