18.10.06

viagem ao mundo dos vinhos



confesso que sempre achei meio esnobes aquelas pessoas que, de posse de uma bela taça de vinho, sacudiam a bicha, enfiavam o narigão lá dentro e, não satisfeitos com o gestual pomposo, enchiam o recinto com seus comentários sobre notas, aromas, safras, cores e composições. ontem, descobri que quem realmente conhece vinho tem um nome para esse tipo de gente: enochato. é o sujeito que, querendo aparecer mais que o vinho, geralmente passa vergonha.

[não sei porque me veio à mente a figura do renato machado... eu sei que, pelo jeito, ele realmente conhece de vinhos, mas...]

bom, os enochatos. foi o simpático arthur p. azevedo, que é presidente da associação brasileira de sommeliers e que esteve em cuiabá para falar aos clientes selecionados do supermercado bacanudo aqui da esquina de casa (olhem como sou fina!), quem me apresentou a essa nomenclatura. bem pertinente, diga-se de passagem. a nomenclatura e o arthur. ele sabe mesmo das coisas. em quase quatro horas de palestra, conseguiu falar sobre técnicas de plantio, mercado nacional e internacional, tendências, particularidades das produções nacional e chilena sem nunca parecer chato ou cansativo. de fato, quando entramos no carro para voltar à casa levei um susto ao ver o relógio do painel do carro. quase meia-noite.

aprendi muitas coisas bacanas - e que eu nem suspeitava que fossem bacanas ou mesmo que existissem. E, no fim das contas, até passei a entender melhor e, vá lá, me solidarizar com os enochatos. deve ser mesmo bacana olhar, cheirar, provar um vinho e saber tudo sobre ele. refazer, pelos sentidos, todo o caminho que levou àquela bebida tão apreciada.

e o caminho é longo: clima, solo, técnica de plantio, escolha das mudas certas, precaução contra pragas, podas, colheitas, seleção dos frutos e 'grãos', maquinário de processamento, acondicionamento do produto final, temperatura de conservação. absolutamente tudo é determinante. arthur explicou que 95% das características de qualidade são determinados ainda na parreira. os outros 5% têm a ver com a vinificação.

a experiência de ontem também foi boa para derrubar alguns mitos que eu alimentava sobre a produção nacional. na minha doce ignorância, sempre fiz parte do coro dos que achavam que o vinho brasileiro era uma bela porcaria. mas o arthur demonstrou – com fotos e dados, que não mulher de convencimento fácil – que nossas vinículas estão passando por um processo intenso e caro – a vinícula moderna cobra alto investimento em tecnologia e pesquisa - de modernização, que pode levar, em alguns anos, a um lugar ao sol no mercado mundial de vinhos. alguns já fazem bonito. não que eu tenha uma opinião, mas, você sabe, o arthur falou. confio nele.

mesmo tendo provado alguns e até mesmo “comparado” com bons exemplares chilenos, ainda preciso de umas dezenas de palestras como essa para entrar no estágio enochato. para sair, então, falta uma boa quilometragem. mas o que importa de verdade é que nunca mais vou tomar uma taça de vinho sem fantasiar sua história, sem prestar atenção ao rótulo, sem tentar adivinhar os aromas que ele tem (sim, no meu caso é adivinhar. tenho um nariz defeituoso de fábrica). a partir de agora ficou muito mais divertido.


cuidado, genaro, non me vá desperdiçar nostro vino!

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

que vida fina a da sommelier cuiabana.
heheheh

e outros cursos desses virão.
bjos
luis

1:30 PM

 

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