sete anos sem plano de saúde. hoje lembrei o porquê!

véspera de feriado. acordei cedo e fui contratar um plano de saúde. às 8h30 a atendente simpática no setor de vendas me encaminha para uma perícia prévia, afim de atestar que eu, com minhas doenças de estimação ou males de ocasião, não serei um prejuízo para a cooperativa.
uma mocinha entendiada recolhe minha papelada e manda esperar. abro meu livrinho, prevendo uma demora de 20, 30 minutos. previ bem. depois de mais ou menos esse tempo, outra mocinha chamou meu nome e apontou uma saleta sem porta. apressada, ela pede para que eu suba de costas para a balança.
de costas? será que está tão na cara assim que eu detesto encarar a balança? quanto ela puxou uma vareta metálica e colocou uma das pontas na minha cabeça percebi que era o instrumento para medir a altura, que geralmente está acoplado à balança. relaxei.
números anotados, fui orientada a sentar-me. a mocinha foi logo acoplando ao meu braço o medidor de pressão e disparando que iria furar o meu dedo para medir a glicemia. peralá, peralá! furar? não, não senhorita, esse negócio de agulha tem regulamento.
fiz a moça perder uns três minutos com a minha falação apavorada. mas no final das contas, tive de colocar minha fobia de lado (sempre tenho!) e entregar meu indicador em sacrifício. só me restava olhar para o lado e, zaz!, furinho feito. não doeu, mas assustou do mesmo jeito. de tanto frio na espinha nem liguei pro resultado (que foi bom, amém!).
depois dessa maratona de eficiência (não levou cinco minutos), fui enviada a uma outra sala, essa com porta, onde me esperava o mais entediado dos médicos, sem entusiasmo nem para levantar o óculos do meio do nariz. ele era careca e meio rechonchudo. tinha os dois braços apoiados à mesa na altura um pouquinho acima dos cotovelos, dando a impressão de que, a qualquer momento, ia pender a cabeça pra um dos lados e tirar um cochilo.
num tom de voz baixo e constante, ele foi lendo, item por item, uma lista imensa de enfermidades, às quais eu deveria reconhecer ou não, marcando sins e nãos de acordo com meu histórico de saúde. problemas de visão - miopia, hipermetropia, glaucoma? sim, miopia. marque sim, por favor. já foi internada? sim, quando eu tin... então, marque sim, por favor. mas isso foi há mui... queira, por favor, marcar sim! glup. sim senhor.
e lá se foram meus 10 minutos de perícia orientada. depois disso, munida do atestado que destacava meus problemas pregressos de miopia e rinite, estava liberada para voltar ao setor de vendas. lá, a mocinha que era toda sorrisos mudou de expressão quando eu fiz questão de ler as 14 páginas do contrato que ela me deu pra assinar. mas só pro um minuto. rapidamente ela se recompôs. mesmo assim, pude notar seu pezinho a balançar impaciente embaixo da mesa e suas olhadelas discretas por sobre meus ombros, checando a fila que se formava.
mas ela não perdeu a pose até que eu terminasse, assinasse folha por folha e pedisse eventuais esclarecimentos sobre carências e atendimentos de emergência. talvez por vingança, me entregou um boleto que só podia ser pago no caixa da agência bancária mais próxima. detalhe: faltavam 40 e poucos minutos para o horário de abertura dos bancos. que remédio? esperei na fila, que já tinha umas 10 pessoas.
e só levou um segundo na boca do caixa. que ironia, não, esperar quase uma hora para ser atendido em menos de três minutos. nessas horas eu queria ser um daqueles office boys que levam todas as contas do patrão, do irmão do patrão, do cunhado, da tia, da mãe e da vizinha pra pagar e demoram hooooras, batem papo, viram "chegados" do caixa. já vi até uns que aceitam cafezinho. que inveja!
mas depois dos meus três minutinhos de exclusividade de atendimento bancário, voltei ao setor de vendas, entreguei a via, recebi, às 10h50, da mocinha sorridente, recomendações e uma pasta com dezenas de folhas grampeadas, vias em papel colorido e um número, que deverá constar no cartão de cliente que receberei "em minha residência, sem nenhum inconveniente". e, sim, ela disse isso com um sorriso na cara.

1 Comments:
Nossa Lu, que saga pra fazer um plano de saúde! Eu nunca precisei furar o dedo ou medir altura para contratar um plano! e olha que tive 3 diferentes nos últimos dois anos! Meio esquisito esse negócio...Bjos
11:56 AM
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