2.1.11

chá sem açúcar

sempre caio na armadilha do fim de ano: pensar na vida, fazer balanços e tal. e o resultado é quase constantemente o mesmo. fico triste pensando em tudo o que não fiz, nas coisas que permanecem inertes na minha vida, no dinheiro que gastei em "bala maluquinha" em vez de me tornar uma adulta séria e responsável...

o efeito rebote é o clássico "agora tenho de recuperar o tempo perdido". e começam os projetos megalomaníacos: emagrecer 896340569 quilos (de preferência antes do carnaval!), comprar um carro e um apartamento financiados em 9459285 vezes, me matricular em aulas de boxe, mandarim e culinária, usar cremes anti-envelhecimento, etc, etc, etc.

o capítulo seguinte dessa novela você já deve ter adivinhado... antes de fevereiro chegar, todas as resoluções já estão na gaveta, esquecidas. muitas delas fracassadas antes mesmo de começar.

este ano vou tentar fazer diferente. já começou diferente, pra falar a verdade. quando o celular apitou zero hora do dia primeiro, não pulei ondinhas, não enviei pedidos para o universo, não olhei pro céu, não lancei oferendas para iemanjá. eu sequer pensei nessas coisas.

assisti pela TV à transmissão dos fogos de copacabana, de camburi e da praia da costa. e ri dos absurdos que os apresentadores da TV Vitória falavam. no meu coração nenhum aperto por estar dentro de casa, longe dos agitos. senti que era hora de ficar bem quietinha e, em vez de pedir algo, tentar ouvir. talvez o universo quisesse me dizer algo.

então, ontem, antes de dormir, tive uma revelação. calma, nenhum anjo baixou aqui no meu quartinho, não vi nenhuma luz. nada demais. na verdade, o que pensei foi algo bem simples. algo que provavelmente já veio embrulhado de presente em conselhos de alguns amigos queridos e eu só estou abrindo agora.

vou dar uma chance ao novo. uma pequena coisa a cada dia, pra criar o hábito, sabe? hoje, por exemplo, troquei o café por chá e não coloquei açúcar. me senti um pouco enjoada no começo, mas gostei. a gente sente melhor o cheirinho, os gostos.

fazer esse tipo de coisa é pouco? não sei. possa ser. mas é a promessa de ano novo mais honesta que já fiz a mim mesma.

bom 2011 para nós!




arte e chá: aqui